Hoje eu vim aqui partilhar um pouco sobre um assunto que quase ninguém fala. Quando entramos em uma comunidade religiosa , ou comunidade de vida sempre falamos do quanto é difícil, do quanto deixamos para abraçar algo novo de Deus.
Eu tive a graça de estar em duas comunidades ao longo do meu caminho, comunidades opostas de carisma e de vivências mas com algo comum entre elas : A vida fraterna . Quando você entra em uma comunidade ela se torna sua família seus membros se tornam seus irmãos e assim sucessivamente os familiares , os amigos, tudo vira um só , é o famoso cem vezes mais. Minha mãe não era mais minha, era a mãe de todos ou a tia que carinhosamente chamavam. Quantos laços, ganhei tantas mães ao longo das missões que passei, cujos filhos eram considerados irmãos , toda família entrava numa espécie de combo e virava família de todos.
Quando você sai dessa comunidade vive uma espécie de luto, como se automaticamente tudo se perdesse contatos, amigos, alianças, irmãos, pais e mães...ai você acaba se questionando se realmente viveu algo extraordinário, se avida fraterna foi uma verdade. Acontece neste momento que mesmo sendo algo que você decidiu( no caso sair desta comunidade) não deixa de doer, não deixa de ser luto. Mas afinal o que é o luto?
(LUTO - uma perda significativa, rompimento de um vínculo de amor, enfrentamento da dor e da perda)
E isso ninguém te conta ,a maioria das comunidades não sabem lidar com quem saiu, por mais que se propõe a ajudar isso não vai acontecer, o que na realidade acontece é um afastamento e esquecimento.
Amizades improváveis acabam surgindo entre aqueles que saíram, a maioria se viu dentro de um carisma e nem eram tão próximos mas ao sair os elos se estreitam porque ambos passam pelo luto. Aquilo que era não é mais , as amizades ,as promessas, os planos ...Isso não é falado ,não é mostrado.
Eu confesso que se eu pudesse dar um conselho seria aprendam a lidar com quem sai, não estou pedindo que se crie uma pastoral, nem uma formação pra quem saiu, nada disso! Apenas aprendam a lidar com aqueles que vocês diziam amar, porque quando eles forem visitar a comunidade onde deram a vida sejam acolhidos e não afastados, que os olhares sejam de gratidão por quem somou e não olhares de repreensão ou até mesmo o fingir que não viu.
Que aqueles que lutaram nas trincheiras conosco mesmo que por um tempo, não sejam lembrados apenas nas fotos de comemoração por mais um ano. Rezem por aqueles que já foram e continuam sendo em algum lugar, talvez vivendo seu luto. Eu encontrei meu lugar e meu lar onde estou, talvez você que esta lendo se identifique e ainda esta vivendo esse luto, não desista você vai ficar bem! Shalom , Anna Souza

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